EPISTEMICÍDIO EM JOÃO SURÁ: OLHARES DA ACADEMIA

Ano:
Linha de Pesquisa:
Projeto Estruturante:

Arquivo da dissertação

Produto educacional vinculado à dissertação

Autor:

MARCOS JOEL VACCARELLI

 

 

 

 

Orientador:

LOURIVAL DE MORAES FIDELIS

 

 

 

 

Palavras Chaves:

Epistemicídio

João Surá

Quilombo

Subalternização

Apagamento Racial

 

 

Linha de Pesquisa:

Não Informado

 

Projeto Estruturante:

Não Informado

 

Instituição:

PROFCIAMB UFPR

 

Ano: 2022

Resumo:

 

Dos três estados da Região Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul -, o território paranaense é o que apresenta o maior percentual de população negra e parda. Um conjunto de desigualdades apontam como esses cidadãos não são reconhecidos como relevantes dentro da constituição histórica do Brasil e, por consequência, do estado. Indicador importante dessa situação, dentro da realidade de nosso estado, é a tentativa reiterada de se construir no ideário coletivo a certeza de que Curitiba e todo o território paranaense é um estado “mais europeu”. Portanto, faz-se necessário e urgente contrapor esse movimento de apagamento, que ainda existe em nossa sociedade, com uma outra perspectiva. Para tanto, precisamos dos esforços de pesquisadores e teóricos que comprovaram a relevante contribuição dessa parcela da população na constituição do território paranaense. Nesse sentido, nesta dissertação buscou-se verificar em trabalhos acadêmicos produzidos entre 2012 e 2020 indícios de processo de epistemicídio na Comunidade Remanescente de Quilombo de João Surá, localizada no município de Adrianópolis, no estado do Paraná. Com a finalidade de realizar conjecturas consistentes, oriundas das leituras dos textos selecionados, escolhemos como ferramenta metodológica a Análise de Conteúdo. No sentido de refletir sobre o epistemicídio e verificar se, baseado na bibliografia arrolada, podemos considerar como um evento que está ocorrendo, e se ocorre, em qual intensidade, na localidade estudada, utilizamos como balizas teóricas as discussões traçadas por Boaventura de Sousa Santos; Sueli Carneiro; Mogobe Ramose; e Djamila Ribeiro. Se a história do povo negro, com cerca de 4 milhões de pessoas retiradas à força do continente africano, foi de três séculos de subalternização, apagamento e morte, a realidade da Comunidade de Remanescentes de Quilombo João Surá aponta para uma direção que possibilita vislumbrar uma trajetória de esperança, de muitos embates e desafios, como por exemplo, as tensões fundiárias, mas com um horizonte de resistência e lutas.

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